Vinhos do mundo: a tradição milenar da Grécia

Quanto o assunto é vinho, a Grécia pode ser definida em uma palavra: tradição. Historiadores apontam que as primeiras vinhas que se tem notícia apareceram no país, por volta de 4000 a.C.. A mais antiga prensa do mundo foi conservada na ilha de Creta e, na renomada obra “Ilíada”, Homero descreve muitas cidades gregas como produtoras da bebida e elogia seu modo de prepará-la.

As técnicas de vinificação passaram por grandes mudanças de alguns anos pra cá, além de altos investimentos em tecnologia, possibilitando a produção de excelentes rótulos. No país são cultivadas cerca de 300 variedades de uvas. Ele divide sua produção total em cinco macrorregiões: Norte (com destaque para a Macedônia); Grécia Central e Áttica; Peloponeso e Ilhas Jônicas; Creta; e Ilhas do Egeu. Na Macedônia, destaque para as uvas Xynomavro, Mosxomavro e Athiri e, no Peloponeso, para a Agiorgitiko. Também são muito apreciadas as uvas Moschofilero, Xinomavro, Agiorgitiko, Athiri e Roditis.

Os melhores vinhos brancos são produzidos nas ilhas Kefalonia, Limnos e Santorini – desta última, vale destacar os vinhos produzidos a partir das uvas Assyrtico, de toque cítrico. Outras utilizadas para fabricação de vinhos brancos são a Moschofilero e Malagousiá. A produção do tradicional Retsína, um dos ícones da Grécia, feito com adição de resina de pinheiro ao vinho branco durante a fermentação, concentra-se ao redor de Atenas.

A imensa diversidade de uvas tem explicação: 80% da superfície terrestre do país é formada por montanhas e ele possui uma costa com 13.676 quilômetros de comprimento. Soma-se a essa característica a diversidade de solos que vão do vulcânico ao calcário, passando pelo argiloso e arenoso. Simplificar a definição climática dos vinhedos gregos como mediterrânea é, portanto, um erro.

Com 130 mil hectares de vinhedos e cerca de 180 mil produtores de uvas, os vinhedos se caracterizam por serem pequenos e pelo cultivo manual, que muitas vezes coexiste com outras culturas. São bebidas de excelente qualidade, elegantes, exuberantes e com muita personalidade. Infelizmente, trata-se de um vinho que nunca alcançará volume de produção para competir com outras potências do mundo – para se ter ideia, o país inteiro produz menos vinho que a região de Bordeaux. Mas isso não o torna menos atraente: pelo contrário, um rótulo desses em sua adega fará toda diferença!

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