O Consumo de Vinhos no Brasil

O Brasil, ao contrário de muitos países europeus ou até mesmo sul-americanos, não possui o hábito de beber vinho.

Os motivos são vários: falta de conhecimento, “elitização” da bebida (ou seja, o vinho normalmente é associado a classes altas e todos pensam que possui valores inacessíveis, o que não é verdade) e, por último, a falta de produtos nacionais com qualidade mais elaborada (mesmo apesar de existirem boas opções brasileiras).

A tendência, no entanto, é que essa situação comece a mudar. Os vinhos brasileiros são feitos basicamente de uvas de espécies americanas, com sabor muito marcante e – principalmente – frutado. Esse é um sabor que afasta quem experimenta a bebida pela primeira vez, fazendo com que não voltem a degustá-la. No entanto, muitos produtores brasileiros estão investindo em outras espécies de uva, muitas vezes com sabor não tão acentuado e mais agradável ao paladar.

Apenas para ter ideia de como o mercado é novo no país, as produtoras nacionais de vinho possuem em média de 30 a 40 anos de existência. Quase toda produção está concentrada no Rio Grande do Sul. Estima-se que, de cada 10 vinhos brasileiros, nove deles foram feitos nesse estado.

Esse é outro indício de que há possibilidade de expansão para o mercado. Outros estados estão investindo em vinícolas, o que aumentará a oferta e contribuirá para diminuir o preço. Com uma carta de vinhos nacionais maior e mais acessível, o brasileiro poderá ingressar no mundo da enologia.

Por fim, alguns dados para comprovar o que explicamos acima. No início da década de 1990, eram produzidos no Brasil mais de treze milhões de litros de vinho. Dez anos depois, esse volume saltou para mais de cinquenta milhões, ou seja, um aumento superior a 300%.

A dificuldade, no entanto, não é apenas inserir o vinho na lista de bebidas, criando o hábito de consumo. O problema maior é concorrer com outra bebida alcoólica, muito tradicional no país, a cerveja. Um brasileiro médio consome 50 litros de cerveja, contra apenas um litro e meio de vinho. Este é um dado que demonstra uma grande diferença, mas que também revela que o mercado está aberto para uma expansão dos vinhos, que se concretizará, possivelmente, dentro de dois a seis anos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.